Lagoa da Prata / MG - quinta-feira, 23 de março de 2017

DOENÇAS NO INVERNO

DOENÇAS DO INVERNO

Com a chegada do inverno, aumenta o numero de pessoas com infecções respiratórias. As gripes, resfriados, otites, sinusites e pneumonia são as principais. A razão pela qual se adoece mais no inverno, ao contrário do que se imagina, não está relacionada a baixas temperaturas. Se frio provocasse doença esquimó estaria em extinção! O real motivo para o aumento das infecções respiratórias no inverno se deve principalmente à mudança de hábito da população que as baixas temperaturas provocam. Passamos mais tempo em ambiente fechado e menos tempo ao ar livre. A maior aglomeração em lugares fechados facilita a troca de vírus entre as pessoas. Com isto, vários tipos de vírus são transmitidos através da tosse, espirro, conversação e principalmente pelas mãos. O tempo muito seco também propicia uma maior facilidade da entrada de germes na mucosa ressecada

Ao contrário do que muitos pensam, andar descalço, dormir de cabelo molhado, tomar sorvete e outros gelados, abrir geladeira, pegar chuva, sereno ou vento não predispõe a infecções respiratórias. Quando venta não está ventando vírus, quando chove não está chovendo doença e quando se pisa no chão descalço a infecção não sobe pelo pé feito lagartixa. Criança abaixo de 5 anos de idade tem em media 10 resfriados por ano, sendo que algumas podem ter até 15 viroses por ano. Isto é ainda mais frequente em crianças que freqüentam creches ou aquelas que têm irmão mais velho em atividade escolar. Isto é NORMAL! Não se trata de falta de cuidado, baixa resistência ou fraqueza do organismo. Crianças pequenas trocam de vírus igual trocam de figurinha. É por isto que as escolas são um verdadeiro zoológico, um almoxarifado de vírus. Do mesmo jeito que crianças recebem vírus elas também transmitem o vírus para os outros.

Muitas vezes esses resfriados de repetição são erroneamente diagnosticados como rinite alérgica, asma ou alergia ao leite de vaca e a criança é submetida a tratamentos e dietas que podem ser danosos a sua saúde. O uso de antibióticos é abusivo e muitas vezes sem necessidade. Freqüentemente um simples resfriado é confundido com  amigdalite. Quem nunca ouviu de um médico a frase: “seu filho está com princípio de pneumonia”. Isto simplesmente não existe! Ou você tem ou não tem pneumonia. Não existe “princípio”! É como alguém afirmar que determinada pessoa está com “princípio de gravidez!” Não tem lógica! Ou se está grávida ou não! Quando o termo “princípio" é utilizado (seja para pneumonia, otite, etc.) geralmente trata-se de infecção viral que não precisa de antibiótico e reflete a insegurança de quem está conduzindo o caso.

Portanto nós (médicos e família) temos que entender que os primeiros anos de vida de uma criança é um período mais enjoado do que grave, mas tem o seu lado bom: cada resfriado o organismo produz anticorpos que ajudam no amadurecimento do sistema imunológico. A criança vai ganhando resistência e ficando cada vez mais preparada para enfrentar as adversidades.

O pediatra é o medico ideal para tratar destas crianças e deve ser ele quem decide quando uma criança deve ser levada ao especialista como otorino, alergista, pneumologista, etc.


Dr. Wilson Rocha Filho
Chefe do Serviço de Pneumologia e Alergia Pediátrica do Hosp. Felício Rocho